Perder - se

Perder-se dentro de si mesmo tem um certo encanto, perder-se nas memórias, no tempo, nos aplausos... Permitir se perder, se permitir esquecer e recomeçar, permitir buscar dentro de você o caminho que só você e mais ninguém pode encontrar e seguir. Não há encontro sem procura, sem perda, sem mergulho. É preciso mergulhar na própria loucura, acreditar na própria mentira e inventar a própria verdade. "São tempos difíceis para os sonhadores", a lucidez e o real se mesclou à ilusão, à ficção, se misturou, fundiu, sumiu. O que nos resta é apenas o que temos, dentro e por dentro, o que vemos fora e de fora, é preciso muitas vezes afastar-se de si mesmo para enxergar de longe, do alto, com outros olhos, para assim, conseguir detectar as miudezas que carregamos e esquecemos que existem.
Se perder é o início do encontro, e do reencontro com que tínhamos esquecido de ser.


Minha autoria
Texto feito no processo de pesquisa do “JOANA”. 
Referencias: filme “As Horas” e texto “Savana Glacial”

MARIA FLOR



Maria acreditava que as flores eram borboletas.
Havia uma grande árvore com seu topo repleto de flores amarelas.
Ela acreditava que um dia aquelas borboletas amarelas iam voar.
Maria passava horas parada ao lado da árvore, 

torcendo p que elas alçassem voo.
Um dia, uma borboleta azul pousou no seu ombro 

e lhe contou que as flores não voavam...
Maria achou estranho, não acreditou no começo, mas, se decepcionou e saiu de perto da árvore para admirar a borboleta azul voar, olhou pra trás para observar a árvore pela ultima vez e a borboleta azul voou pra tão longe, que Maria a perdeu de vista e não conseguiu alcança-la.
Então, voltou para sua árvore e continuou a observar.
Às vezes, no outono, as borboletas amarelas se mexiam e se desprendiam da árvore, Maria torcia com toda sua fé para que elas levantassem voo, 

mas elas sempre iam direto para o chão.
Maria nunca desistiu, continuou ali.
Sua esperança era mais forte que o sol, que os vendavais e as chuvas que passavam por ali e arrastavam tudo, 
menos ela, 

que continuava ali, esperando as borboletas voarem. 
As vezes ela chorava, pensava em desistir, ficava brava com as flores amarelas,
mas tinha medo de virar as costas e elas voarem sem que ela visse...
Maria passou a vida toda ali, esperando as flores voarem.

- Mas flor não voa Maria! E nem sua esperança mais sincera e profunda fará ela voar!

Essa é a história de Maria Flor.
A questão é que Maria também queria voar, mas sozinha não conseguia.
Passou a vida toda depositando sua esperança na Flor e esqueceu que ela também era Maria.

Minha autoria, imagem da internet

Declaração

“Não acomodar com o que incomoda”; ser feliz sem esperar nem depender de ninguém; ser porque simplesmente quer e pode ser.

A PARTIR DE HOJE EU ME DECLARO LIVRE. Livre de expectativas, de conversas subjetivas e palavras no ar.

A partir de hoje eu me declaro livre. Livre de qualquer mal que possa me atingir, principalmente o mal-Amor que sai de mim e aponta para mim mesma.

A partir de hoje me declaro amada. Pois não preciso de ninguém para isso, pois eu me amo e isso basta. Eu cansei de ser só e decidi me fazer companhia.

A partir de hoje eu não declaro nada, pois a vida é minha, e quem quiser saber dela que dela então faça parte. Mas não por entrelinhas, que faça de verdade, em negrito e sublinhado.

A partir de hoje eu declaro não viver mais de migalhas, declaro não ter mais tempo a perder com meias verdades disfarçadas, quero verdades declaradas.

 A partir de hoje eu me declaro eu.


A partir de hoje eu me declaro livre de mim para poder ser eu.

Minha autoria

Sorria =)

Não sonhe.
Não queira.
Não deseje.
Não crie expectativas.
Não cobre.
Não espere.
Não ame.
Não se doe.
Não sofra.
Não participe.
Não pergunte.
Não mude de opinião.
Não insista.
Não chore.
Não sinta.
Não diga não.

Minha autoria

O lado de lá



Pude observar, do lado de cá, por essa fresta,
que logo ali, há de haver um pouco mais de cor e sabor.
Pude observar, do lado de cá, por esse pequeno espaço,
...
que logo ali parece ser bem melhor do que aqui.

Lá, há de ter um lugar mais florido,
com menos corações partidos e
menos homens egoístas treinando seus rugidos
-querendo ser leões.

Querendo ser reis de selvas que nem existem mais.

Logo ali, depois da pedra cinza e dura,
- rústica e crua,
que nos separa de algo já esquecido lá atrás,
ou lá na frente, ou, logo ali, depois do muro.

Logo ali, depois do muro,
do outro lado desse deserto -de concreto.
Bem ali, a alguns passos de distância...
Ali, que parece haver vida -pelo menos, mais vida que aqui.

Um ‘logo ali’ tão perto, mas tão difícil de chegar – e enxergar.
Pois não querem mais que eu me importe com o lado de lá
Por que tudo isso é logo ali, e eu estou aqui
-do lado de cá.

E NÓS estamos aqui, do lado de cá.

Minha autoria.
® Direito de texto e imagem reservados

Devolução




Vou passar ai para pegar as minhas roupas que ficaram na tua casa 
e devolver a chave da tua vida.
Quero de volta também a sincronia da nossa intimidade e as verdades jamais ditas.
Se conseguir te devolverei seu coração 
e peço perdão por não ter conseguido faze-lo pulsar forte como no início.
Por favor devolva meu tempo desperdiçado em todas as brigas e discussões má sucedidas
que não foram suficientes para nos unir de novo.
Devolva também minhas lágrimas que te devolverei as noites em claro pensando em nós.
Entregue seus elogios e juras a outra mas continuarei acreditando que um dia você irá cumprir as promessas que fazia à mim.
Vamos apagar todos os momentos de carícias 
e esquecer os momentos de troca de olhares e de silêncio.
E gritos ao vento de afeto e de revolta.
Devolveremos então o nosso amor ao universo para que ele o transforme como preferir,
e o amor entre nós já não nos pertencerá, como a muito vinha acontecendo.
Vamos fingir que foi melhor assim e que tudo ficará bem.
Vamos destrocar nossos abraços e esquecer nossas brincadeiras 
e frases prontas que nós mesmos criamos.
Desfaremos nossos planos anotados à risca e nossos moldes de uma vida juntos.
Trocaremos o nome de nossos filhos futuros e inventaremos novas formas de amar,
cantaremos outras canções e não cantaremos aquelas que nos faz lembrar 
de tudo aquilo que não conseguiremos apagar.
De tudo aquilo que não há devolução.
Devolveremos o que está ao nosso alcance, e vamos esconder aquilo que que ainda não está.

Ainda não está, mas estará.





Minha autoria

Mais ser cada dia / Ser cada dia mais

Cada dia mais elevo-me a ser
leve.
E levo da vida a leveza e a beleza
das nuvens, chuvas, amores de flores,
que florescem cada dia mais, dentro de nós.
Floresço.
Floresço e cresço e sumo.


Cada dia mais sumo para o mundo
e sinto-me dentro de mim.
E sim,
tome-me de dentro de mim.
Sumo sem rumo de mim,
e fujo dos meus próprios males
sem fim.


Cada dia mais eu subo
e subtraio quem trai e me distrai
e trago e sugo pra dentro tudo que julgo
tranquilo e simples, vulgo, bom.


Cada dia mais escuto o som
da natureza, e seus tons e dons.
Esculpo, engulo e cuspo a tristeza
e suas dores e cores marrons.


Cada dia mais vivo
estou.
Pois na vida nasce a dádiva
da duvida da vida: ser ou não ser vívida?
E eu continuo contínuo na ativa tentativa de ser
feliz.


Cada dia mais me movo,
e me renovo, e me removo
e me inovo, de novo, me movo.
Porque parar é perder a essência de ser
é esquecer a consciência de si
é não saber compreender: o estranho que é ser
você.


Minha Autoria
Hoje eu chorei por todas as coisas que já falei e todas as outras que já quis e não tive coragem de falar. Chorei hoje, pelo ontem, e pela incerteza do amanhã. Hoje chorei por todos os erros que aceitei, e todos os acertos que errei em aceitar. Chorei pela nota desafinada que toquei e pelo beijo –doce beijo- roubado que ganhei. Chorei pela saudade e pela ausência – de pessoas, de momentos, de mim mesma, que perdi a essência – chorei pelo que fui e pelo que sou, só não chorei pelo que vou ser, pois não sei se serei. Chorei, molhei, gritei, andei, ufa. Eis que estou aqui, chorando. Chorei hoje pelas promessas que quebrei e planos que desfiz, por pessoas que deixei e por amizades que refiz. Chorei de alegria por lembrar de velhas e belas coisas, e de tristeza por pensar que tudo passou, acabou, fim. 


Minha autoria