Cansei

Às vezes a gente cansa,
de tanta insegurança,
de tanta distância,
de tanta lambança.

Às vezes a gente cansa,
de tanta falsidade,
de tanta metade,
de tanta crueldade.

Às vezes a gente cansa,
de tanta ameaça,
de tanta trapaça,
de tanta vidraça quebrada.

Às vezes a gente cansa,
de tanto chorar,
de tanto tentar,
de tanto cansar!


Minha autoria

Conto - Bom dia, hora de acordar. Parte Final



-Eu venho sendo uma idiota, mas, eu quero melhorar, não quero afastar você, nem as meninas, principalmente Jenny... Também não quero que minha mãe pense que estou ficando como meu pai... Não quero que ela se decepcione comigo...
- fica tranquila... Ela não vai se decepcionar... É só você começar a dar valor para as coisas que realmente tem valor. Não para as coisas fúteis...
- eu vou tentar. –Kátia saiu do carro e entrou em casa, sua mãe já estava na cama. Minutos depois recebeu uma mensagem no celular.

Ps. Feliz aniversário,
que sua vida seja repleta de amor, felicidade e sorrisos.
Conte sempre comigo, Laís.

A resposta de Kátia foi sincera, e escrita com um sorriso nos lábios. Laís estava indo para sua casa, dentro do táxi e as três palavras a fizeram sorrir. “obrigada, por tudo. Kátia”

porque não manda uma mensagem para Jenny? Laís.

Jenny, me desculpe por ontem. Não quero te perder. Kátia.

Você nunca vai me perder amiga. Feliz aniversario. Jenny.

Kátia tomou um banho e se deitou. Demorou para pegar no sono. Chorou como nunca havia chorado antes, lamentou pelo seu namoro, mas pela primeira vez lamentou por ter perdido uma pessoa tão carinhosa e humilde como Paulo, pela primeira vez depois do termino relembrou as risadas e momentos bons que passou com ele, e chorou. Chorou por todos os dias que perdeu deixando a vida passar, não vendo as coisas boas se afastar. Se culpou por ter magoado tantas pessoas com seu egoísmo e depois jogou a culpa fora. Prometeu para si mesma que ia se tornar uma pessoa melhor. Dormiu como um anjo.  Acordou com o despertador, se sentia leve e feliz. Sua mãe ainda não havia acordado, e então ele teve uma idéia.

-bom dia mãe, hora de acordar
- filha!? – sua voz estava ainda sonolenta, ela se sentou na cama lentamente, Kátia trazia uma bandeja com torradas, café com leite e uma maça.
- achei estranho você não ter levantado no horário de sempre, - respondeu Kátia - e resolvi trazer o seu café na cama, você está bem? – uma lágrima caiu do olho da mãe de Kátia, que colocou a bandeja na cama e abraçou fortemente sua filha.

minha autoria, parte final.

Conto - Bom dia, hora de acordar. Parte 4



- Vim te buscar. Às vezes é bom falar obrigado, sabia? Aquela mulher podia ter pego o celular para ela. Você tem noção do que ela deve passar todos os dias, vivendo na rua? Ela deve passar fome, frio, deve ser desprezada, chutada, deve tomar chuva,  morrer de calor no verão... Mas ainda sim, ela foi humilde, e veio lhe devolver o celular. Muitas pessoas normais, de classe média pegariam o celular pra si e não devolveriam, mesmo sabendo quem é o dono.
- e daí? Ta falando isso por quê? Me leva pra casa, cansei de hoje.
- é esse seu jeito que não suporto mais! – Paulo gritava – você é linda, tem uma vida boa, uma casa, comida todo dia, tem pessoas que gostam de você, e mesmo assim você é um monstro, cheia de patadas, arrogância e nem se quer sabe ser educada!
- fala baixo!  As pessoas estão olhando! – sussurrou Kátia
- não ligo! Está mais do que na hora de você ouvir a verdade! Você...
- ta tudo bem aqui? – era Laís que acabara de sair do carro e se aproximava do casal
- está sim, ele está descontrolado... – respondeu Kátia, porém foi interrompida por Paulo
- descontrolado?  Kátia... Será que você não vê? Eu estou tentando de ajudar, isso sim!
- o que aconteceu? Você está suja, descalça, você está bem? – perguntou Laís
- não... Eu estou cansada... Quero ir pra casa.
- pois vai a pé! Você a leva Laís?
- levo sim... – Paulo virou as costas, entrou no carro e partiu.

- quem o chamou para o meu aniversario? – Kátia perguntou irritada com lágrimas nos olhos
- eu... Bem, achei que... Vocês terminaram?
- terminamos, ele me odeia. - Kátia se sentou no chão, e Laís a acompanhou.
- já pensou por quê?
- porque ele... Ele não sabe valorizar uma mulher. Por isso.
- a me poupe Kátia! Paulo é ótimo!
- o que? Vai lá ficar com ele então.
- Kátia relaxa. Só estou dizendo que ele é uma boa pessoa, e gostava de você de verdade. Eu só acho que você deveria rever seus conceitos... Eu falo como amiga, de verdade.
- como assim?
- Ká... A Jenny me contou, que você a chamou pra sair, e não quis ir por causa do fusca... Desculpa mas todos nós sabemos que na maioria das vezes você só quer nossa companhia por causa dos nossos carros... E Paulo, coitadinho! Não venha me disser que você estava com ele por algo além do dinheiro...
- ah, do que você esta falando... Paulo é um bom cara, como você disse. O dinheiro apenas ajuda...
- você não me engana amiga. – Laís riu irônica – eu sei que era por causa do dinheiro... Será que você só pensa nisso? É isso que importa pra você? Presta atenção... A Jenny era sua melhor amiga! O Paulo seu namorado há quatro meses, e você está os afastando de você – uma lágrima caiu dos olhos de Kátia – sua mãe é um doce... Eu já vi como você a trata... O que você ganha com isso?
- acontece que... Eu sou assim. E sempre vou ser.
- claro que não amiga! Eu sei que seu pai não prestava,  era superficial, só pensava no lucro, não te dava atenção... Mas você está seguindo os mesmos passos que ele...
- nunca! Ele era um mentiroso, bêbado, delinquente, ainda bem que sumiu, tomara que nunca volte!
- eu sei que ele não era um bom pai, mas Ká, ele te amava. E você está se tornando ele. Se você acha realmente que ele não era um bom exemplo de pessoa, então ta na hora de mudar amiga, de se tornar melhor que ele! Poxa, é seu aniversario... Vamos se divertir! Vamos aproveitar hoje pra começar uma nova fase, que tal? Eu to aqui com você.

- então porque me sinto tão vazia?
- porque você está dando valor para as coisas erradas. – Laís se levantou e ajudou a amiga a se levantar. – vamos procurar um táxi.
- espera... É... Não sei como falar isso, bem... Me sinto  muito grata por você estar aqui comigo. Eu sei que não tenho sido uma boa amiga, e uma boa pessoa... Enfim...
- está me agradecendo? – se surpreendeu Laís
- não... É claro que não, - gaguejou Kátia - eu... Estou sim. Obrigada. – elas se abraçaram, e antes de irem procurar um táxi, Kátia pediu para Laís a acompanhar. Desceram as escadas, e se encontraram com a mulher que havia ajudado Kátia.
- obrigada. – Kátia estendeu uma nota de cinquenta reais para a mulher, e uma sensação estranha tomou conta do seu corpo. Metade alivio, metade felicidade, metade paz. A mulher aceitou o dinheiro com um sorriso e desejou à Kátia toda a felicidade do mundo.
pegaram o táxi e pararam em frente à casa de Kátia.



minha autoria