Conto - Bom dia, hora de acordar. Parte 4



- Vim te buscar. Às vezes é bom falar obrigado, sabia? Aquela mulher podia ter pego o celular para ela. Você tem noção do que ela deve passar todos os dias, vivendo na rua? Ela deve passar fome, frio, deve ser desprezada, chutada, deve tomar chuva,  morrer de calor no verão... Mas ainda sim, ela foi humilde, e veio lhe devolver o celular. Muitas pessoas normais, de classe média pegariam o celular pra si e não devolveriam, mesmo sabendo quem é o dono.
- e daí? Ta falando isso por quê? Me leva pra casa, cansei de hoje.
- é esse seu jeito que não suporto mais! – Paulo gritava – você é linda, tem uma vida boa, uma casa, comida todo dia, tem pessoas que gostam de você, e mesmo assim você é um monstro, cheia de patadas, arrogância e nem se quer sabe ser educada!
- fala baixo!  As pessoas estão olhando! – sussurrou Kátia
- não ligo! Está mais do que na hora de você ouvir a verdade! Você...
- ta tudo bem aqui? – era Laís que acabara de sair do carro e se aproximava do casal
- está sim, ele está descontrolado... – respondeu Kátia, porém foi interrompida por Paulo
- descontrolado?  Kátia... Será que você não vê? Eu estou tentando de ajudar, isso sim!
- o que aconteceu? Você está suja, descalça, você está bem? – perguntou Laís
- não... Eu estou cansada... Quero ir pra casa.
- pois vai a pé! Você a leva Laís?
- levo sim... – Paulo virou as costas, entrou no carro e partiu.

- quem o chamou para o meu aniversario? – Kátia perguntou irritada com lágrimas nos olhos
- eu... Bem, achei que... Vocês terminaram?
- terminamos, ele me odeia. - Kátia se sentou no chão, e Laís a acompanhou.
- já pensou por quê?
- porque ele... Ele não sabe valorizar uma mulher. Por isso.
- a me poupe Kátia! Paulo é ótimo!
- o que? Vai lá ficar com ele então.
- Kátia relaxa. Só estou dizendo que ele é uma boa pessoa, e gostava de você de verdade. Eu só acho que você deveria rever seus conceitos... Eu falo como amiga, de verdade.
- como assim?
- Ká... A Jenny me contou, que você a chamou pra sair, e não quis ir por causa do fusca... Desculpa mas todos nós sabemos que na maioria das vezes você só quer nossa companhia por causa dos nossos carros... E Paulo, coitadinho! Não venha me disser que você estava com ele por algo além do dinheiro...
- ah, do que você esta falando... Paulo é um bom cara, como você disse. O dinheiro apenas ajuda...
- você não me engana amiga. – Laís riu irônica – eu sei que era por causa do dinheiro... Será que você só pensa nisso? É isso que importa pra você? Presta atenção... A Jenny era sua melhor amiga! O Paulo seu namorado há quatro meses, e você está os afastando de você – uma lágrima caiu dos olhos de Kátia – sua mãe é um doce... Eu já vi como você a trata... O que você ganha com isso?
- acontece que... Eu sou assim. E sempre vou ser.
- claro que não amiga! Eu sei que seu pai não prestava,  era superficial, só pensava no lucro, não te dava atenção... Mas você está seguindo os mesmos passos que ele...
- nunca! Ele era um mentiroso, bêbado, delinquente, ainda bem que sumiu, tomara que nunca volte!
- eu sei que ele não era um bom pai, mas Ká, ele te amava. E você está se tornando ele. Se você acha realmente que ele não era um bom exemplo de pessoa, então ta na hora de mudar amiga, de se tornar melhor que ele! Poxa, é seu aniversario... Vamos se divertir! Vamos aproveitar hoje pra começar uma nova fase, que tal? Eu to aqui com você.

- então porque me sinto tão vazia?
- porque você está dando valor para as coisas erradas. – Laís se levantou e ajudou a amiga a se levantar. – vamos procurar um táxi.
- espera... É... Não sei como falar isso, bem... Me sinto  muito grata por você estar aqui comigo. Eu sei que não tenho sido uma boa amiga, e uma boa pessoa... Enfim...
- está me agradecendo? – se surpreendeu Laís
- não... É claro que não, - gaguejou Kátia - eu... Estou sim. Obrigada. – elas se abraçaram, e antes de irem procurar um táxi, Kátia pediu para Laís a acompanhar. Desceram as escadas, e se encontraram com a mulher que havia ajudado Kátia.
- obrigada. – Kátia estendeu uma nota de cinquenta reais para a mulher, e uma sensação estranha tomou conta do seu corpo. Metade alivio, metade felicidade, metade paz. A mulher aceitou o dinheiro com um sorriso e desejou à Kátia toda a felicidade do mundo.
pegaram o táxi e pararam em frente à casa de Kátia.



minha autoria 

6 comentários:

  1. Muito bom, acabei de ler a história até então.

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  2. parabéns pelo texto!

    ***
    Escrevo pro: http://cafedefita.blogspot.com/
    (Patrícia Araújo - Colaboradora)

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  3. vou ler as partes anteriores e depois comento direito, porque só essa parte fica tenso, mas parece ser legal

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  4. realmente, seu conto faz com que reflitamos sobre os valores morais que precisamos cultivar para sermos felizes....abs

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  5. Fazia um bom tempo que não vinha aqui! Como adoro contos, eu li todas as partes anteriores e valeu apena. Pelo que percebi é um conto reflexivo. Muito bacana mesmo, acabei de escrever um conto em meu blog, passa lá e comenta:

    http://errosxacertos.blogspot.com/

    beijos

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