Devolução




Vou passar ai para pegar as minhas roupas que ficaram na tua casa 
e devolver a chave da tua vida.
Quero de volta também a sincronia da nossa intimidade e as verdades jamais ditas.
Se conseguir te devolverei seu coração 
e peço perdão por não ter conseguido faze-lo pulsar forte como no início.
Por favor devolva meu tempo desperdiçado em todas as brigas e discussões má sucedidas
que não foram suficientes para nos unir de novo.
Devolva também minhas lágrimas que te devolverei as noites em claro pensando em nós.
Entregue seus elogios e juras a outra mas continuarei acreditando que um dia você irá cumprir as promessas que fazia à mim.
Vamos apagar todos os momentos de carícias 
e esquecer os momentos de troca de olhares e de silêncio.
E gritos ao vento de afeto e de revolta.
Devolveremos então o nosso amor ao universo para que ele o transforme como preferir,
e o amor entre nós já não nos pertencerá, como a muito vinha acontecendo.
Vamos fingir que foi melhor assim e que tudo ficará bem.
Vamos destrocar nossos abraços e esquecer nossas brincadeiras 
e frases prontas que nós mesmos criamos.
Desfaremos nossos planos anotados à risca e nossos moldes de uma vida juntos.
Trocaremos o nome de nossos filhos futuros e inventaremos novas formas de amar,
cantaremos outras canções e não cantaremos aquelas que nos faz lembrar 
de tudo aquilo que não conseguiremos apagar.
De tudo aquilo que não há devolução.
Devolveremos o que está ao nosso alcance, e vamos esconder aquilo que que ainda não está.

Ainda não está, mas estará.





Minha autoria

Um comentário:

  1. Olá, Bianca! Tudo bem?

    Olha quem resolveu aparecer (risos). Isto mesmo: eu voltei. Hoje senti saudades do blog e dos vínculos criados através dele então resolvi aparecer. Não estou com texto novo no blog (ainda), mas apareci aqui para ler. Bom, visitarei apenas um blog hoje, já está tarde, (risos) Então optei pelo seu :) Fico feliz que ele continua vivo e recheado de textos... Será que consigo ler todos e, assim, recuperar o tempo "perdido"? (risos) Devoluções retrata um desabafo do término de um relacionamento que, inclusive, parece ter sido duradouro. Linda a forma como escreveu, parece estranho, mas as vezes a dor é linda por nos deixar os mais completos ensinamentos e o mais abrangente dos amadurecimentos. O verso "Devolveremos o que está ao nosso alcance, e vamos esconder aquilo que que ainda não está", sobretudo, me chamou muita atenção e reli diversas vezes. Que perfeito a forma que descreveu o sentimento: isto revela que ele ainda existia, mas que o melhor seria dissipá-lo. Revela que o sentimento talvez ainda pulsava, contudo, algo impedia que seguisse. O que será que aconteceu? Nos leva a pensar... As vezes a vida tem dessas coisas. Seria interessante ler a resposta daquele que irá receber de volta a "chave da vida" em outro poema (risos). Que tal nos revelar? Falando em "chave da vida", quanta propriedade, em? Parabéns!


    Um abraço,

    Wesley Carlos, do Essência da Palavra.
    http://wscarlos.blogspot.com.br/

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